A boca é o portal energético do corpo, a face é composta de várias estruturas que possuem uma interdependência. Acredito que tentamos equilibrar o órgão mais complexo e menos entendido do nosso organismo. A boca está relacionada com diversas estruturas como a respiração (que acredito que de todas é a que mais influência na modulação do crescimento e desenvolvimento), a fala que é vital para a sociabilidade; pessoas que possuem harmonia estomatognátiga são mais bem aceitas, possuem capacidade física maior (Ronaldinho Gaúcho é uma exceção).
A maxila se relaciona com a órbita, cavidade nasal, cavidade oral. Por trás de todo este conjunto está o nosso sistema nervoso central. A pituitária importantíssima para promover o crescimento está localizada no esfenóide, osso que se relaciona com todos os ossos da face e parte interna do cérebro, posso ficar escrevendo mais dez páginas sobre isso e mesmo assim não teremos todas as relações. Esta interdependência já foi descrita por Van Der Klaauw (componente craniano funcional o CCP), Moss desenvolveu a sua teoria a partir destes postulados.(de Sá filho, Floriano. p. 189) .
Mas acredito que devemos ir além, se sabemos que a posição da mandíbula guia o eixo corporal, qualquer intervenção que fizermos, que possa alterar o equilíbrio do sistema (seja uma restauração mal adaptada ou problema periodontal...) comprometerá o todo. Caso esta boca entre em colapso, estará influenciando também a posição da mandíbula, alterando o eixo corporal gerando uma resposta que é uma adaptação muscular (situação hipotética). Devemos sempre antever o problema, esta é a real prática da OFM.
Prevenir é dar condições para que o indivíduo cresça e se desenvolva com as máximas de sua capacidade. Sabemos que grande parte das más oclusões começam na infância, se prevenirmos desde o nascimento com as corretas orientações sobre a amamentação, alimentação, hábitos, fatores psicológicos..., Conseguiremos sem dúvida nenhuma alcançar o equilíbrio de nossos pacientes.
O grande mérito de Pedro Planas não foram o equiplan nem pistas diretas ou indiretas, a sua grande descoberta foi como se operava o desenvolvimento do sistema estomatognático, ele observou as rotações da mandíbula e maxila e conseguiu identificar o motivo, e como elas aconteciam, mas este gênio foi além ele aprendeu a corrigir e prevenir. Planas já em 1962 descrevia que uma correta amamentação com movimentos de ordenha era uma preparação do sistema estomatognático para receber os dentes e estes cumprirem o seu papel que é a de moer e triturar o alimento aumentando a sua superfície como conseqüência facilitando a digestão. Esses estímulos corretos vão influenciar todas as estruturas interdependentes, trabalhando em harmonia.
Acredito que OFM vai muito além de aparelhos, OFM é direcionar, criar ou manter o equilíbrio. Devemos sempre escutar nossos pacientes porque acredito que eles possuem informações valiosíssimas para a compreensão da OFM. Temos que colaborar para a correta evolução do sistema como um todo, indo em direção ao equilíbrio vital.
RAFAEL FERREIRA
CIRURGIÃO DENTISTA
CLÍNICO GERAL
ESPECIALISTA EM ORTOPEDIA FUNCIONAL DOS MAXILARES
:: RAFAEL FERREIRA 11:47 AM [+] ::
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Hábito de respirar pela boca pode levar à queda de até 30% na performance física
O que a cabeça tem a ver com os pés? Tudo. E não só com os pés, mas com todo o corpo. O ¿inofensivo¿ hábito de respirar pela boca, por exemplo, pode levar à queda de até 30% na performance física. Isto porque diminui a oxigenação do sangue e, assim, a capacidade aeróbica, contribuindo para as lesões musculares, além de provocar ou agravar a asma, dar sonolência ou agitação. Também muda a estrutura do céu da boca, da arcada dentária e da musculatura da face, que no conjunto correspondem às disfunções da articulação têmporo-madibular (ATM). São alterações que acabam por interferir decisivamente na postura do indivíduo.
O craque Ronaldinho quase deixou o futebol, aos 15 anos, em decorrência de um problema dentário. Ao se esforçarem mais para manter o mesmo rendimento dos colegas, atletas ou pessoas dedicadas a algum esporte que respiram pela boca chegam a induzir a asma. Estudos na área da Odontologia já demonstram que os atletas que respiram pela boca apresentam performance 21% inferior em relação aos que respiram pelo nariz.
Como as crianças e nem os pais têm idéia das conseqüências do hábito de respirar pela boca, e até não identificam o problema, uma equipe multidisciplinar iniciou um estudo pioneiro com 300 crianças, de 8 a 14 anos, da Escola de Futebol Leão, do Clube Fortaleza. Ao longo de três meses, uma equipe do projeto ¿Respire Bem e Viva Melhor¿, formada por dentista, pneumologista, fisioterapeuta e fonoaudióloga, irá avaliar a postura e o desempenho dos alunos. Identificados os problemas, serão indicados os tratamentos.
As crianças que respiram pela boca acabam respirando mais rápido que as demais, se expondo mais às impurezas do ar. É que, ao longo de bilhões de anos, o sistema respiratório humano foi se adaptando para proteger o organismo destas impurezas, mantendo o equilíbrio das trocas gasosas com o meio externo.
¿O nariz aquece, umidifica e limpa o ar que respiramos, o que não acontece quando o ar entra pela boca. Em conseqüência, as amígdalas e adenóides e todo o trato respiratório ficam irritados, abrindo caminho para crises de asma, bronquite, rinites, otites de repetição, resfriados freqüentes, sono agitado¿, explica a pneumologista Valéria Góes.
Se o hábito de respirar pela boca não for identificado nos primeiros anos de vida, a criança altera e compromete o padrão do corpo como um todo. De acordo com a dentista e coordenadora do projeto, Fátima Moura, o céu da boca se estreita, os lábios ficam entreabertos de forma a deixar a musculatura da face flácida, aumentando a incidência de cáries. Também são verificados problemas de deglutição dos alimentos, sendo comum a preferência pelos líquidos e pastosos ao invés do alimento sólido.
Numa reação em cadeia, até o posicionamento da língua se altera, prejudicando a fala e levando a uma mudança no posicionamento da mandíbula. Favorece a postura de crianças com ombros caídos, retificação da coluna cervical (o pescoço fica esticado para frente) e o diafragma fica com o tônus aumentado. Isso desorganiza e desestrutura a postura, favorecendo os desequilíbrios. Sendo assim, o atleta ou qualquer pessoa que pratica uma atividade física, como karatê ou ginástica, costuma se machucar com maior facilidade.
Dra. Fátima Moura recomenda observar as crianças que não dormem bem, são muito agitadas ou sonolentas, apresentam sobrepeso ou abaixo do peso, ou seja, os extremos. ¿A prática de esportes requer cuidados num contexto como este, pois a oxigenação deficiente leva a estafa muscular rapidamente¿.
Segundo a dentista, as escolas e academias precisam estar mais atentas às pessoas que respiram pela boca, até para melhorar o seu rendimento físico e ajudar a resolver um problema que afeta várias funções do organismo. Do contrário, como os sintomas são diversos, a raiz do problema acaba sendo identificada, com muito custo, por médicos de diferentes especialidades.
Este é o papel de uma especialidade que, aos poucos, vem ganhando espaço: a Odontologia Desportiva. A área envolve equipes multidisciplinares. A tarefa dos especialistas é identificar até que ponto o tipo de material usado na restauração de um dente do atleta pode se partir, levando em conta o grau do impacto da atividade física.
Como identificar
¿ Pessoa que apresenta sonolência diurna
¿ Quem ronca, baba ou dorme de boca aberta
¿ Quem sempre está com a boca entreaberta
¿ Não tem resistência para correr
¿ Criança irritada ou quieta demais
¿ Desempenho físico diferente dos colegas
¿ Infecções freqüentes (resfriados) e presença de catarro.
Notícia publicada no Diário do Nordeste de 5 de setembro de 2004.
Enviado por fatima moura (mfatimamoura@yahoo.com.br)
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